Alguns estudos têm sido realizados com resultados promissores em relação a mais esta
potencial utilidade do óleo da semente de moringa. Inicialmente, Aguiar et al. (2009) neutralizou o
óleo de moringa, depois o transesterificou pela rota etílica na razão molar 1:6 óleo:etanol com 1%
do catalisador, KOH. Estes pesquisadores verificaram que as propriedades físico-químicas do
biodiesel de moringa obtido por rota etílica estavam de acordo com o especificado pela ANP (Res.
n° 7, 19/03/2008), além de observarem que a estabilidade térmica deste biodiesel foi alta já que sua
volatilização iniciou-se a 136 ºC.
Em 2010, diferentes trabalhos foram publicados em torno deste tema, como o de Kafuku e
Mbarawa (2010), o qual otimizou parâmetros de produção de biodiesel de óleo de Moringa oleifera.
A partir do valor encontrado de ácidos graxos livres (0,6%) foi possível utilizar o método de
transesterificação alcalina para converter ácidos graxos a ésteres metílicos. Os parâmetros de
produção ideal, tais como quantidade de catalisador, quantidade de álcool, temperatura, velocidade
de agitação e tempo de reação foram determinados experimentalmente e considerados: 1% de
catalisador, 30% em peso de metanol, temperatura de reação de 60°C, e taxa de agitação de 400 rpm
e tempo de reação de 60 min. Com estas condições ideais, a eficiência de conversão foi de 82% e
dessa forma, as propriedades do biodiesel da moringa estavam de acordo com padrões
recomendados internacionalmente. No entanto, o biodiesel a partir do óleo da moringa apresentou
valores dos pontos de nuvem e de fluidez de 10°C e 3°C, respectivamente, o que faz com que este
combustível apresente problemas quando utilizado em temperaturas frias.
Pereira et al. (2010) produziram biodiesel a partir do óleo de moringa pelo processo de
hidroesterificação, em um reator batelada, utilizando-se o óxido de nióbio como catalisador. A
hidrolise foi realizada em uma razão molar água:óleo de 20:1 em uma temperatura de 300°C
durante 1 hora de reação e para a esterificação uma razão molar álcool:ácido graxo de 3:1 em uma
temperatura de 200°C durante uma hora de reação. Os resultados foram satisfatórios, mostrando
uma conversão em éster metílico de 98% (PARENTE, 2003). Os resultados das análises realizadas
com o biodiesel estão de acordo com o previsto na Resolução ANP nº 4, de 02/02/2010, que
estabelece a especificação do biodiesel a ser comercializado pelos diversos agentes econômicos
autorizados em todo o território nacional (DONLI & DAUDA, 2003). No mesmo ano, Donli e
Dauda (2003) também estudaram a estabilidade à oxidação do biodiesel a partir da moringa, tendo
em vista a alta estabilidade do óleo. Reações de transesterificação in situ, hidroesterificação e
transesterificação convencional foram realizadas a fim de verificar a estabilidade a oxidação do
biodiesel em cada uma dessas rotas. Os resultados mostraram estabilidade à oxidação maior do que Revista GEINTEC– ISSN: 2237-0722. São Cristóvão/SE – 2013. Vol. 3/n. 2/ p.012-025 20
D.O.I.:10.7198/S2237-0722201300020002
310 horas utilizando reações de transesterificação in situ, indicando que esse biodiesel pode ser
utilizado em blends como antioxidantes, já que a Resolução ANP nº 4, de 02/02/2010 estabelece o
mínimo de 6 horas para uma estabilidade à oxidação satisfatória (DONLI; DAUDA, 2003).
Rashid et al. (2011), com o objetivo de explorar as melhores condições para a
transesterificação de óleo de Moringa oleifera, utilizaram a metodologia de superfície de resposta
(RSM), com delineamento experimental central composto rotativo (CCRD). Foram avaliados os
efeitos de quatro variáveis, sendo elas temperatura de reação (25-65°C), tempo de reação (20-90
min.), razão molar metanol/óleo (3:01-0:01) e concentração do catalisador (0,25-1,25%p.p. KOH);
o termo quadrático dos três últimos parâmetros citados, bem como a interação entre eles nos
experimentos apresentaram efeitos significativos sobre o rendimento da produção de ésteres
metílicos a partir de óleo de moringa. Dessa forma, encontraram as seguintes condições ótimas de
produção: relação metanol/óleo de 6,4:1 molar, concentração do catalisador de 0,80%, temperatura
de reação de 55°C e tempo de reação de 71,08 min, oferecendo 94,30% de rendimento. Os valores
experimentais e preditos tiveram uma correlação linear. O éster metílico de ácido oléico foi o mais
produzido, com contribuição de 73,22%.
A estabilidade térmica do combustível foi avaliada por curva termogravimétrica e as demais
parâmetros (densidade, viscosidade cinemática, a lubricidade, estabilidade oxidativa, o valor mais
elevado de aquecimento, o número de cetano, ponto de nuvem etc.). A análise termogravimétrica foi
realizada sob atmosfera inerte, em uma faixa de temperatura de 50 a 300,21°C. Como esperado, o éster
metílico do óleo de moringa não apresentou nenhuma perda de massa até a temperatura de 169,91°C,
revelando sua alta estabilidade. Na curva termogravimétrica, a maior perda de massa (99,67%) foi verificada
sob a temperatura de 300,21°C. As propriedades do biodiesel produzido a partir de óleo de moringa (rota
metílica) foram comparadas com os padrões estabelecidos pela ASTM e pela EN 14214, os quais foram
incluídos a densidade (875 Kg/m3
), viscosidade cinemática (4,80 mm2
/s), ponto de chama (162°C), alto valor
energético (45,28 MJ/Kg), número de cetanos (67), acidez (AV, 0,38 mg KOH/g), concentração de enxofre
(0,012% por massa), resíduo mineral (0,010% por massa) e umidade (<0,01% por massa). Rashid
juntamente com outros colaboradores já haviam realizados testes preliminares em 2008,
comparando as características do biodiesel produzido a partir do óleo de moringa com outros
combustíveis produzidos a partir de óleos convencionais.


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